Por que líderes experientes são os que menos inovam, segundo pesquisa da Kantar

Introdução: o paradoxo de líderes experientes e inovação

Na teoria, líderes experientes e inovação deveriam caminhar juntos. Líderes com décadas de trajetória acumulam repertório, visão e capacidade de análise, ingredientes essenciais para reinventar o futuro. Contudo, a realidade mostra o oposto.

pesquisa Kantar 2025 revelou um dado inquietante: líderes experientes são 43% menos propensos a implementar práticas inovadoras em comparação aos mais jovens. Essa resistência não está ligada à competência técnica, mas à forma como o sucesso passado molda a mente.

Conforme destaca a Harvard Business Review, o maior desafio dos líderes contemporâneos não é aprender novas habilidades, e sim desaprender o que os trouxe até aqui. Em um mercado em disrupção constante, a experiência, outrora símbolo de poder, tornou-se, paradoxalmente, uma barreira para a mudança.


O sucesso passado como barreira ao futuro em líderes experientes e inovação

O sucesso cria conforto. E o conforto, em excesso, mata a curiosidade. Líderes experientes, especialmente os que acumularam conquistas expressivas, tendem a confiar em padrões de decisão que já funcionaram antes.

Por outro lado, a inovação exige incerteza, risco e vulnerabilidade, exatamente o que o cérebro humano tenta evitar.

McKinsey & Company explica que líderes que obtiveram sucesso em um modelo mental fixo, baseado em comando linear, previsibilidade e hierarquia rígida, enfrentam maior dificuldade em migrar para contextos colaborativos e experimentais.

Consequentemente, quanto mais tempo um profissional permanece no topo, menor é sua disposição para testar o novo. Ele não deseja errar diante da própria história de acertos.

💬 “A experiência é uma excelente professora, até que o conteúdo da aula muda.” — Aline Bocardo.


A neurociência da resistência: por que líderes experientes e inovação se afastam

Por trás da resistência de líderes experientes à inovação há uma explicação biológica. O cérebro humano busca poupar energia e reduzir ameaças. A zona de conforto cognitiva é, portanto, uma resposta evolutiva e não apenas psicológica.

Quando confrontados com ideias disruptivas, muitos líderes experimentam dissonância cognitiva, um estado de desconforto que ocorre quando crenças antigas entram em conflito com novas informações.

Além disso, estudos da Harvard Business Review indicam que o córtex pré-frontal, responsável pela tomada de decisão, tende a buscar atalhos mentais baseados em experiências anteriores. Em vez de analisar uma inovação de forma neutra, o cérebro compara com o que já conhece e rejeita o diferente. Assim, o que parece resistência consciente muitas vezes é automatismo neural.

O problema é que, nas organizações, essa autodefesa biológica se transforma em barreiras culturais persistentes.


Cultura corporativa: onde líderes experientes e inovação entram em choque

Empresas lideradas por executivos experientes frequentemente carregam a cultura da previsibilidade.

Planos plurianuais, reuniões lineares e processos padronizados sustentam a operação, mas matam o improviso criativo. Em um cenário assim, propor algo novo soa como um ato de rebeldia.

Além disso, líderes sêniores costumam valorizar a eficiência sobre a experimentação, perpetuando o medo de errar.

McKinsey reforça que culturas orientadas à perfeição geram paralisia inovadora. Quando o erro é punido, a criatividade morre.

Enquanto isso, startups e empresas emergentes crescem porque aprendem com a falha mais rápido do que corporações tradicionais. Portanto, o que diferencia líderes inovadores não é o número de anos de experiência, mas a capacidade de questionar as próprias certezas.


As descobertas da Kantar: o perfil do líder que não inova

A pesquisa Kantar Global Business Insights 2025, realizada em 18 países, identificou três traços predominantes nos líderes menos inovadores:

  1. Aversão a risco cognitivo: 71% dos líderes com mais de 20 anos de experiência admitem preferir decisões baseadas em dados históricos, mesmo em contextos de ruptura.
  2. Excesso de confiança na intuição pessoal: 64% afirmam que “sabem o que funciona” e confiam mais na própria experiência do que em novas metodologias.
  3. Desalinhamento geracional: 58% relatam dificuldade em acompanhar o ritmo de mudança cultural das novas gerações, o que limita a colaboração transversal.

📊 Dado de impacto: segundo a Kantar 2025, apenas 22% dos líderes experientes se consideram agentes ativos de inovação, enquanto 68% dos líderes emergentes, com menos de 10 anos em cargos de gestão, afirmam experimentar novas abordagens pelo menos uma vez por trimestre.

Esses números revelam que o tempo de casa, isoladamente, não garante visão de futuro. Em muitos casos, ele cristaliza o olhar no retrovisor.


O ciclo de inércia: como o sucesso cria cegueira inovadora

A experiência produz um efeito de auto-referência. O líder experiente se torna o guardião do que funcionou e, portanto, o maior opositor de qualquer ruptura que ameace esse legado.

Essa dinâmica é conhecida como paradoxo do especialista: quanto mais alguém domina um sistema, mais difícil é perceber alternativas fora dele.

Além disso, em ambientes corporativos altamente hierarquizados, a deferência ao passado se torna regra. Profissionais evitam desafiar o líder veterano, reforçando o ciclo de inércia.

Por conseguinte, a cultura da reverência substitui a cultura da curiosidade. A empresa permanece eficiente, mas se torna incapaz de se reinventar.

💬 “A inovação começa onde o ego termina.” — Aline Bocardo.


Segurança psicológica: o elo que reconcilia líderes experientes e inovação

Se o medo é o inimigo da inovação, a segurança psicológica é seu antídoto.

Harvard Business Review aponta que equipes com alto nível de segurança psicológica, ambientes onde as pessoas se sentem seguras para discordar e propor, têm 50% mais probabilidade de gerar ideias inovadoras.

Contudo, para que isso aconteça, o líder precisa se mostrar vulnerável. Admitir que não sabe tudo é um ato de coragem, não de fraqueza.

Quando executivos seniores demonstram humildade intelectual, liberam o time da obrigação de agradar e criam espaço para o pensamento crítico. Nesse contexto, a experiência deixa de ser um fardo e se transforma em catalisador de aprendizado coletivo.


Líderes experientes e inovação: cinco práticas para reprogramar a mentalidade

Desaprender é o primeiro passo. Mas como transformar isso em prática diária?

A seguir, cinco caminhos para que líderes experientes retomem a capacidade de inovar com propósito e curiosidade, conectando líderes experientes e inovação de forma sustentável.

1. Questione o que você já domina

O que trouxe sucesso ontem pode ser irrelevante amanhã. Portanto, estabeleça o hábito de revisar suas verdades. A cada grande decisão, pergunte: isso ainda faz sentido no contexto atual?

Crie um quadro visível com hipóteses que você já validou no passado e reavalie-as trimestralmente.

2. Rodeie-se de perspectivas divergentes

Busque pessoas que pensem diferente, especialmente as que discordam de você. A diversidade cognitiva é motor de inovação, como destaca a McKinsey em suas análises de cultura e agilidade organizacional.

Além disso, incentive conversas transversais entre gerações, áreas e níveis hierárquicos. A inovação é, antes de tudo, uma conversa ampliada.

3. Crie rituais de experimentação

Reserve tempo na agenda para testar ideias. Por exemplo, adote a hora do experimento, um momento semanal em que o time validará hipóteses de forma rápida, sem medo de errar.

Dessa forma, a inovação deixa de ser um evento e se torna hábito organizacional. Defina escopos pequenos, métricas claras e ciclos de aprendizado de duas semanas.

4. Transforme feedback em combustível

Líderes experientes costumam evitar feedbacks que desafiam sua autoridade. Contudo, feedback é aprendizado. Encare-o como presente, não como crítica.

Ao criar rituais de devolutiva construtiva, o líder se mantém conectado à realidade e evita o isolamento que mata a inovação. Estabeleça critérios objetivos para avaliar ideias e incentive feedbacks anônimos quando necessário.

5. Invista em aprendizado exponencial

O conhecimento não envelhece, mas as fontes sim. Atualize-se de forma contínua. Participe de fóruns de inovação, cursos sobre IA, transformação digital e metodologias ágeis.

De acordo com a Harvard Business Review, líderes que dedicam 10% do tempo semanal ao aprendizado ativo são três vezes mais propensos a gerar projetos inovadores.

Integre esse compromisso à sua rotina e reporte aprendizados em uma reunião curta, semanal, com o time de liderança.


Métricas que conectam líderes experientes e inovação

Embora cultura e mentalidade sejam essenciais, medir transforma intenção em prática. Inclua indicadores que incentivem a curiosidade e a experimentação:

  • Taxa de experimentos por trimestre: quantos testes foram propostos, executados e analisados.
  • Tempo de validação de hipóteses: ciclo entre ideia, protótipo e aprendizado.
  • Participação transversal: diversidade de áreas e níveis nas iniciativas.
  • Aprendizados documentados: quantos insights foram registrados e aplicados.
  • Índice de segurança psicológica: percepção de abertura para discordância e risco calculado.

Com métricas visíveis, a liderança sinaliza que inovação é prática de gestão, não discurso motivacional.


Governança leve: estrutura que ajuda, não trava

Sem método, a criatividade vira entusiasmo. Sem liberdade, o método vira burocracia.

Para reconciliar líderes experientes e inovação, desenhe uma governança leve, que oriente sem sufocar:

  • Comitê multidisciplinar pequeno para priorizar o portfólio de experimentos.
  • Critérios transparentes de seleção e interrupção de testes.
  • Rotina de pós-mortem curta para transformar falhas em ativos de conhecimento.
  • Orçamento de risco explícito para experimentos, com limites claros.
  • Patrocínio executivo visível, com presença regular do CEO ou do board em rituais de aprendizado.

Essa combinação cria um ambiente onde a experiência dá lastro e a inovação encontra caminho.


Conclusão: desaprender é o novo poder

O verdadeiro poder da experiência está em usá-la como trampolim, não como âncora. O líder do futuro respeita o passado, mas não se submete a ele.

Líderes experientes e inovação podem caminhar juntos quando a curiosidade substitui a certeza e quando a humildade intelectual abre espaço para novas abordagens.

A inovação não acontece por acaso. Ela exige disciplina para medir, coragem para tentar e disposição para começar de novo, mesmo após décadas de sucesso.

Se você chegou até aqui, parabéns. Isso mostra que sua experiência não o aprisiona, mas o impulsiona a reescrever o próprio legado.

💬 “A mente que se abre a uma nova ideia jamais volta ao seu tamanho original.” — inspirada em Albert Einstein.


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